Você têm estado muito no estúdio ultimamente?
Sim, eu tenho trabalho no meu novo album. Está bom pra ca****!
Desculpe o palavrão.
Qual o clima do album?
Eu o gravei em uma semana, então ele é bem cru. Se você grava qualquer
música na mesma hora em que você tem a idéia, dá um tipo de eletricidade
que não a larga, então ele é bem livre e cada música é diferente.
Você se preocupa com o tipo de atenção que a imprensa dá quando
você volta ao Reino Unido?
Não, já me acostumei. Se eu me preocupasse com a imprensa, estaria
cavando meu túmulo antecipadamente. Não, eu não posso me preocupar
com coisas bobas como essa, não é importante.
Porque você acha que a imprensa inglesa não é sempre gentil com você?
Eu não sei ao certo. Afinal, porque eles são cruéis com todo mundo?
Eu não sei se há alguma boa razão para ser cruél com alguém que só está
tentando cantar e fazer boa música. O que eu faço é negativo e machuca
o sentimento das pessoas? Se a resposta fosse sim, então eu entenderia
o porque de eles serem tão cruéis. Mas eu não acho que a resposta é sim.
Se eles não gostam, então não deveriam escutar. O que eu sugiro, para
as pessoas que ficam irritadas ou perturbadas, eles deveriam desligar a
TV, o som ou fechar a revista, e então seguir com seu dia e encontrar
algo que os faça feliz. Eu não estou indo a lugar nenhum, eu gosto de
fazer música e vou continuar fazendo sem levar em consideração o que
essas pessoas pensam.
Havia muita possitividade ao seu redor no começo, vocÊ era a garota
do interior que mandava bem, e então…
Você não pode ser cruél com uma garota de 15 anos. Você só pode ser
cruél quando ela atinge os 19, então talvez tenha sido isso, talvez
tenha sido a idade. “Quando ela estiver um pouco mais velha, vamos
ferrar com ela”, talvez tenha sido isso. Mas tudo bem, é apenas um pequeno
país. Eu faço música pra o mundo e não só para a Inglaterra.
VocÊ se arrepende de ter aparecido no Brit Awards ano passado [Stone foi
criticada por sua aparência e por adotar um sotaque americano]?
Não. Que tipo de pergunta é essa? Não.
Você tem se divertido nos EUA. O que tem feito lá?
Exatamente a mesma coisa que tenho feito aqui, na Fraça, Alemanha,
Japão, Holanda e Australia: música. As pessoas daqui pessoam que
eu moro nos EUA. Mas eu não moro e nem vou morar. Tenho o mundo todo
para atender, cuidar e cantar.
Você começou muito nova. Como a indústria da música tem tratado?
Bem, estou muito feliz com o resultado.
Você acha que entrou nesse meio muito cedo?
Não. Eu acho que me saí muito bem. E se eu não tivesse, eu não seria
eu, e eu gosto de mim nesse momento, estou bem comigo mesma.
Você alguma vez já se sentiu pra baixo?
Sim.
Depressiva?
Não, não muito. Quero dizer, eu sou uma garota, nós todas ficamos com
raiva algumas vezes. Você já se sentiu pra baixo alguma vez? Já se
sentiu depressiva? Sim.
Você acha a indústria da música sexista?
O mundo é um lugar sexista, mas eu não acho que seja uma indústria sexista.
Chega um ponto em qualquer negócio vira um pouco sexista. Mas está ficando
menos sexista com o passar do tempo.
É verdade que quando você entrou na indústria musical, pessoas do meio
disseram que não iriam contratar “uma garota branca com voz de negra”?
Sim. As pessoas tem sido muito racistas [comigo]. Foi um choque. Eu tinha
14 anos quando fui aos EUA assinar o contrato e isso me confundiu mais
do que tudo. As pessoas que era mais racistas comigo eram brancas. Não
é engraçado? Bem estranho. Mas você tem que ignorar esse tipo de coisa
porque se você insistir isso vai se prolongando – quantos mais você
falar sobre isso e quanto mais você rotular coisas como branco e preto. Eu
não classifico música e nenhum estilo como uma cor. É apenas um diferente
tipo de pele. Vamos lá pessoal, somos todos iguais por dentro. É como dizer:
“Você é loira e eu sou morena, então nós somos pessoas completamente
diferentes”. Isso é besteira. Eu espero que as pessoas ajeitem esse
comportamento.
Você também pode ouvir a entrevista no site.
fonte: guardian.co.uk